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Sobre a ansiedade crônica



 Muita gente acha que é frescura e que logo vai passar. Outro tanto de gente acha que você só está estressada ou nervosa. Há, ainda, quem ousa dizer que é coisa da idade ou que são os hormônios.

 Cresci, a frescura de uma garota mimada passou e o estresse as vezes vai embora, mas ela não. Ela fica. Acorda do meu lado e vai dormir comigo todos os dias.
 Há dias em que ela é uma senhora obesa e que ocupa todo o espaço da cama, fazendo com que eu me deite espremida num canto, com medo de me mexer e até de respirar. Mas há dias em que ela é uma criança exaltada e me deixa com os ânimos tão aflorados que nem as rezas mais poderosas são capazes de parar a disritmia em meu peito.
 Ah, e há aqueles dias em que ela se deita sobre mim. Fico imóvel na cama, meu corpo todo dói, meu peito parece que vai explodir com o peso dela e meu estômago chega a revirar.
 Sem contar os dias mais ousados em que essa tal ansiedade resolve que vai me asfixiar. Pega pela minha garganta e vai apertando até que fico sem ar. Quando acho que não vou mais aguentar, ela simplesmente me solta e vai embora. E me deixa sozinha na cama com o coração acelerado e me perguntando quando isso vai acabar. E se vai acabar.
 Claro que não é sempre assim. Quando minha vida está toda equilibrada e sem nenhum sinal de mudança, quando minha zona de conforto não é alterada, ela tira férias.
 Mas basta tomar uma decisão. Prestar um vestibular. Ter uma prova. Um encontro. Uma entrevista de emprego. Qualquer mudança que seja e ela reaparece. Como uma fênix, ressurge das cinzas muitas vezes.
 Os sintomas são sempre os mesmos e a forma como ela virá é sempre uma surpresa desagradável.
As pessoas ao meu redor falam a todo momento que eu devo relaxar e manter a calma. É nesse momento que ela adora me perturbar e como um pica-pau fica na minha cabeça me lembrando que ela estará me atormentando.
 Eu luto contra ela o quanto posso e das maneiras que consigo: yôga, meditação, leitura, reza, remédios, psiquiatra, psicóloga.
 Mas as pessoas custam a entender que não é tão fácil assim. Não é só acordar amanhã e me decidir: "Hoje não serei ansiosa em nada!" E como uma mágica acaba tudo.
 Acham mesmo que não há dias em que acordo disposta a acabar com ela? Mas exige esforço, tratamento (sim) e paciência.
 Enquanto isso, continuarei usando a escrita como a janela da minha alma, da qual saem todas as minhas angústias nas minhas noites de ansiedade.

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